Resenha de Livro: As Esganadas - Jô Soares

12 comentário(s)
Título: As Esganadas
Título Original: -
Autor: Jô Soares
ISBN: 978-85-359-1975-2
Páginas: 264
Ano: 2011
Editora: Companhia das Letras
Preço: 36,00
Avaliação


Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas. Seu alvo são mulheres jovens, bonitas e... gordas. Sua arma são irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades.Em As esganadas, o autor do best-seller O xangô de Baker Street explora mais uma vez tema que lhe é caro: os assassinatos em série. No entanto, tal como Alfred Hitchcock, que desprezava os romances policiais cujo objetivo se resume a descobrir quem é o criminoso (o famoso “whodonit”), Jô Soares revela logo no início não somente quem é o desalmado como sua motivação psicológica (melhor dizer psicanalítica) para matar. O delicioso núcleo narrativo está nas tentativas aparvalhadas da polícia de encontrar um criminoso que, além de muito esperto e de não despertar suspeita nenhuma, possui uma rara característica física que dificulta sobremaneira a utilização dos novos “métodos científicos” da polícia carioca.  Para investigar os crimes, o famigerado chefe de polícia Filinto Müller designa um delegado ranzinza, assessorado por um auxiliar obtuso e medroso, e que contará com a inestimável ajuda de um sofisticado e culto ex-inspetor. Na perseguição ao criminoso, os três investigadores ganham a desejável companhia de uma jovem linda, destemida, viajada e moderna, que é repórter e fotógrafa da principal revista ilustrada do país. 


É quase certo que ao bater o olho na capa dessa obra, você leitor ou qualquer pessoa que venha a se deparar com a obra na vitrine de uma livraria fique extremamente curioso sobre a trama desse livro, e não somente pelo fato do título da obra se remeter a algo no mínimo macabro, ou pela imagem policial que nos faz pensar em um mistério imenso, mas sim, pela interrogação que creio que a grande maioria das pessoas criariam: "Jô Soares escrevendo sobre um assassino de gordas?" Certamente seria algo trágico, se não fosse cômico. 

Com seu irreverente humor e sacadas inteligentíssimas, Jô Soares criou em As Esganadas uma trama original, histórica, envolvente e claro, como símbolo do altor em cima de todo o drama uma quantidade imensa de humor. Não era de se esperar menos que isso de um jornalista tão autêntico quanto o Jô, que soube transferir essa autenticidade também aos seus personagens extremamente cativantes e interessantes, que acabaram por criar uma narrativa irreverente e sagaz. 

A história é ambientada na década de 30 no Rio de Janeiro, até então capital federal do Brasil. Essa era a época em que Getúlio Vargas (Personagem presente em outros romances do autor) instaurava no Brasil a ditadura do estado novo, lampião aterrorizava o nordeste e Hitler preparava o campo para a segunda guerra mundial. Com certeza, uma década muito movimentada historicamente. No meio disso tudo somos apresentados a um personagem no mínimo enigmático que tem um desejo enorme por matar mulheres gordas. Claro que esse desejo não é algo comum e que surgiu do nada, o homem desde pequeno criou um raiva imensa da mãe que era extremamente gorda e fazia inúmeras sobremesas sobretudo portuguesas e não se cansava de comer. O garoto que sempre foi magro acabou por matar a mãe e desde então, sempre que vê uma gorda acha que é a sua mãe que voltou para lhe atormentar, então, acaba "matando a mãe novamente" sempre que tem chance. 

Existem inúmeras críticas sobre o fato do autor logo no início da trama nos apresentar o assassino das gordas, sem ao menos fazer um mistério assim como suas motivações para o assassinato. Pessoalmente, não achei que essa foi uma má ideia, o objetivo central de Jô Soares não foi criar uma trama cercada de mistério e morte para no fim se chegar a um assassino. É notável que a revelação cedo trouxe junto a comédia logo nas primeiras páginas do livro tornando os acontecimentos seguintes algo que de tão simples que parecia acabou tornando-se viciante e hilário. 

Existe uma equipe no livro que torna-se responsável pela captura do responsável pelos assassinatos. Entre eles está Noronha, um delegado típico de todos os locais. Calixto é o seu assistente e também acaba ajudando no caso, mesmo sendo meio lento, psicologicamente falando, em vários momentos. Um português acaba interferindo na equipe pedindo para ajudar na busca por ser bom em deduções, seu nome é Tobias. Por ultimo temos Diana, a última a participar do grupo, ela é jornalista e chega ao grupo depois que sai em busca de notícias sobre o desaparecimento das mulheres gordas. 

Me apaixonei por cada pedaço do livro. É incrível a sensação de estar andando por um Rio de Janeiro boêmio, com pessoas com costumes antigos e pessoas desembarcando dos portos a todo o momento montando a cultura brasileira como a qual conhecemos hoje. A descrição das ruas e construções é bem minuciosa, é como se o livro te levasse realmente a cidade maravilhosa. 

A narrativa do Jô consegue ser culta e simples ao mesmo tempo e vale lembrar que todos os personagens usam uma linguagem diferente da que usamos hoje, afinal estamos falando de uma linguagem usada a mais de 80 anos atrás. Mas como já disse, nada complexo que venha a dificultar a leitura. 

Com toda certeza digo que Jô assim como jornalista e apresentador é um ótimo escritor. Como disse Luis Fernando Veríssimo, o Jô é um grande fazedor de tipos, e certamente, fará muitos rirem, chorarem e quem sabe se desesperarem ao lerem o drama das esganadas.

12 comentários:

Luciana Cardoso disse...

Confesso que toda vez que eu vejo esse livro eu não boto fé nenhuma nele, acho que se deve ao fato do nome ser bem estranho e nada atrativo para mim rsrs...
Mas ao ler a sua resenha sobre ele eu me surpreendi, achei a história muito interessante e intrigante.
Espero em breve lê-lo, gostei bastante, parabéns pela resenha completa e que instiga muito a gente a ler.

franfernands disse...

Eu sempre quis comprá-lo, mas sempre tive receio por achar que podia me decepcionar, fico feliz de ouvir uma opinião dizendo que é tão bom. Comprarei ele em breve então! hahah

Marli Carmen disse...

Assim, eu nunca tive curiosidade para ler esse livro, mas depois de tanto comentarem e meu professor de literatura falar...penso que devo dar uma chance...

Beijos e um final de semana repleto de alegria para vc!
http://marlicarmenescritora.blogspot.com.br/

Fernanda Faria disse...

Gente eu AMO o Jõ, sério meu sonho é sentar no sofá dele, pra bater um papo. kkkkkkkkkkkkkkkkk! Bem que eu queria saber se esse livro era bom, ainda não tinha visto nenhuma resenha sobre ele. Muito bom saber. *u*
beijos

Adrielly Pontes disse...

Eu não gostei muito desse livro :( muito surreal. O jeito como ele mata as mulheres... eca! Se for pra fazer joguinho prefiro mesmo jogos mortais que pelo menos as mortes são mais assustadoras e não nojentas. E as gordas sendo atraídas pro assassino, como se todas fossem ver um carrinho de doces e ir correndo pra se encher de guloseimas. E o final foi super estranho, mas eu gostei. E eu também achei a narrativa dele muito boa. A sinopse me fez querer ler o livro e essa capa é linda, achei que fosse amar, me decepcionei. Mas é assim mesmo haha. Porém, que bom que você gostou, porque é horrível ler um livro (ainda mais se for comprado) e não gostar dele.

Caique Fortunato disse...

Bom saber que esse livro é legal, muitas pessoas tinham falado dele e também me lembro quando ele não saia da lista dos mais vendidos. Gostei da resenha, nunca iria imaginar que o Jô seria um bom escritor kk

Abraços
www.entrepaginasdelivros.com/

Mariana Silva disse...

Já li esse livro e o Assassinato na Academia Brasileira de Letras do Jô. Adorei todos. É meu autor nacional favorito =)

Matheus Moura disse...

Bom sabe que Jô consegue transmitir suas sacadas dinâmicas e divertidas pro livro. Achei super interessante ele fazer um história como essa, tanto pela novidade, como pelo humor que por si só já está presente na sinopse. Acho que os livros brasileiros tem um certo problema no dinamismo, mas tive impressão que esse não tinha, talvez pela americanização do autor. Colocado na ista =)

Rafa Oliveira disse...

Uma amiga disse que é muito engraçado, rsrsrs. Gosto de livros engraçados, e fiquei interessada por ela revelar o mistério no início, isso significa que há algo muito melhor para o final.
Rafa
Blog Melody
http://rafaacarvalho.blogspot.com.br/

barbara disse...

muito bom não li todo mais é incrivel!

Ketelin Natieli Wochner disse...

Adoro o Jô! haha
Não sei se ia gostar do livro tanto quanto você, mas espero lê-lo algum dia, me pareceu bem interessante!

Beijos

Mylly :) disse...

Não me senti atraída pela capa, porém é como diz o ditado "Não julgue um livro pela capa", li a sinopse e me imaginei lendo e rindo bastante com esse livro, até por que o o Jô possuí um humor bem diferenciado. E desvendar logo quem é o assassino no inicio perde aquele clichê e imagino eu, que faz uma história realmente diferenciada.

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Manuseador da pena

Juan Silva, 16 anos, Carioca e Sagitariano. 3º ano e estudante do curso técnico de química. Não vivo sem bons livros, séries e filmes. De vez em quando, um café gelado sempre é bem vindo. {mais?}

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